"Propagando Soluções"

Microsoft e a adesão ao modelo Open Source

Filed under: Informática, Microsoft, Open source, MemeAdriano de Oliveira Gonçalves | 7 de Março de 2008 @ 21:21:04 (Views: 314)

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Olá, prezado leitor!
Respondendo ao Meme do meu colega Silvio Eberardo, vou falar um pouquinho sobre o que acho dessa novidade da Microsoft com código aberto. Para isso procurei dar uma pesquisada por aí e ler um pouco para entender melhor o que envolve o fato.

Bem, para começar, estamos falando das recentes iniciativas da Microsoft em relação à abertura dos códigos fontes de vários dos seus principais produtos, sob licenças Open Source criadas por eles e aprovadas pela comunidade. Não é meu forte falar de mercado e tendências políticas, mas vamos lá… Já há alguns anos se fala na possibilidade da Microsoft abrir códigos de seus sistemas. Antigamente já existia uma licença chamada Shared Source, que previa a abertura de códigos de algumas APIs da empresa, sendo que os autorizados a vê-los não poderiam nem compilar nem utilizá-los para outros fins. Era permitido apenas ver os códigos e sugerir modificações sob sigilo. Desnecessário dizer que essa modalidade de licença não beneficia muito a comunidade; apenas faz pessoas trabalharem “de graça” para a Microsoft ou empresas de software desenvolverem melhor para plataforma Windows.

Atualmente, a história já é um pouco diferente: a dinâmica de trabalho Open Source tem se mostrado bastante eficaz, gerando soluções inteligentes e confiáveis, como é o caso do Linux (tá bom, GNU/Linux, Cacilhas… :) ), do Mozilla Firefox, do Apache, do PHP, do KDE, do OpenOffice, a ponto de ditarem tendências no mundo dos softwares. Além disso, o mercado de softwares proprietários tem perdido espaço para essas soluções livres, inclusive em grandes empresas, pois possuem um custo bem mais reduzido e estão cada vez mais populares (quem sabe eu não abra um cursinho de informática ensinando OpenOffice? hehehe :D ).

Também podemos apontar outros fatores que empurram a empresa para uma mudança de política, como a pressão da União Européia com processos anti-truste, os avanços da Apple com a Intel, o crescimento dos serviços e aplicativos web gratuitos, nos quais a Microsoft não predomina (como o mercado de buscas, por exemplo). A verdade é que o mundo gira, o mercado corre e a tecnologia voa; logo mudanças são necessárias. Desta vez, a nova proposta da empresa prevê a abertura de cerca de 30 mil páginas de documentação de APIs e protocolos, que agora podem ser utilizados de forma mais livre para desenvolver outros produtos, em licenças parecidas com as do Mozilla. Além disso, a empresa deve investir em mais medidas de interoperabilidade, incluindo a promoção de eventos e estruturas de apoio à comunidade. Até a última informação que eu li, também estava prevista a abertura de arquivos para todos os outros softwares da companhia, incluindo o Office 2007.

Diante de tudo isso, o que pensar? Bem, alguns são otimistas, outros pessimistas. Para Andrew Storms, engenheiro da nCircle, “A Microsoft ganhou milhares de programadores livres”. Para Jomar Silva, diretor geral da ODF Alliance Chapter Brazil, “É extremamente oportuno. Parece que a Microsoft está preparando um ar angelical pra dizer em Genebra que vai abraçar a interoperabilidade”. Para Àlvaro Leal, analista da consultoria IT Data, “É mais um movimento de marketing que qualquer coisa. Não acho que vai beneficiar empresas nem usuários finais. Com o crescimento da adoção de sistemas livres, a Microsoft precisa não ser odiada pela comunidade para que possa aproveitar as oportunidades, principalmente no mercado corporativo”.

E eu, o que acho? Acho que cada um desses que têm opinado tem um pouco de razão em alguma coisa. Também vejo isso como estratégia de marketing… Seja lá como for, sem dinheiro uma empresa não sobrevive, e se existe uma boa sacada de imagem nisso, porque não aproveirar? Acredito que vai ser bom para a Microsoft, porque vai ter chance de amadurecer mais em seus modelos e estratégias, acompanhando algumas mudanças do cenário mundial de tecnologia (não só bom como necessário, “juntando o útil ao agradável”). Creio que vai ser bom para as empresas de software, que vão poder desenvolver soluções tendo um suporte melhor e mais chances de concorrer. Imagino que vai ser bom para os desenvolvedores, porque alguém com porte para fornecer documentação e treinamento está promovendo isso; vejo coisas QUENTES pela frente… :) E pra o usuário final? Bem… Acredito que ele vai ter mais opções para escolher… Também acho que a segurança vai aumentar, mas com elas as tecnologias cracker…

No final das contas, para essas questões do mercado de TI, fico com as palavras de nosso falecido e ilustre cantor Tim Maia - “Vale tudo… Vale o que vier, vale o que quiser… Só não vale dançar homem com homem, nem mulher com mulher (o resto vale)”. O que der certo deu.

Para prosseguir com a roubada o desafio, como não me veio à mente dois nomes de blogueiros que eu conheço pra indicar, vou chamar só um mesmo, meu colega Frederico Fiuza, do UND3RW0LRD OF D3RF.

P.S.> Ainda não compreendi por completo o universo de coisas que envolve isso, então caso eu tenha falado alguma besteira, por favor me corrijam educadamente. Sinto que esse post ainda vai sofrer alguns updates… Agora deixa eu voltar a escrever artigos técnicos… :)

2 Comentários

  1. Comentário by Silvio Eberardo:

    Adriano,

    EXCELENTE ARTIGO!

    Obrigado pelo trabalho de pesquisa e por perpetuar o meme. Acho que é por ai. Acho que a MS pode aprender (e via) e também é uma ótima oportunidade de mkt (se é ótima, por que não?).

    Vou acompanhar o meme.

    Abração,

    Silvio

  2. Comentário by Giba:

    Muito oportuno este assunto.

    Eu penso que isto não é realmente marketing, chama-se sobrevivência. Em algum o Adriano fala sobre os desenvolvedores poderem concorrer, este é outro ponto.

    As novas gerações surgindo a todo instante neste nosso grande mundo de deus, vem com outras necessidades, apelos, conhecimento. Este novo consumidor é diferente, ele avalia as questões de interação, compartilhar, trocar experiencias, evoluir participando. Isto deixou a M$ totalmente perdida após alguns anos.

    Então para não dar chance que uma profecia feita a quase 5 anos atras e que o seu final faltam 6 anos de que ela não será a segunda e nem a terceira empresa de tecnologia no mundo, e que muito provavelmente poderia até sumir no mercado como a empresa que conhecemos hoje em dia.

    O mundo gira, “o mundo voa” disse o Adriano, pura verdade.

    Aqui está alguém que durante 20 anos usou produtos M$ e hoje nem tanto. E cada dia usarei menos… slavo uma mudança radical como esta tenha efeito.

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